A feira do povo na praça do povo.

              Sábado é um dia especial em João Monlevade. É o dia da feira do povo na praça do povo. É o único dia da semana que tenho o prazer de levantar bem cedo e aproveitar os melhores produtos da feira. A alegria e a disposição das pessoas curam qualquer  tristeza.   Fiz muitas amizades na feira,  que se renovam a cada sábado.  Este pequeno texto que escrevo é uma homenagem para todos os feirantes que enchem de sabor e calor humano as manhãs de sábado em João Monlevade.             Em cada barraca, uma história, um sabor, uma vida.  Numa bela manhã de sábado,  tomei nota de todos os feirantes. Desde já, peço minha sinceras desculpas,  se de alguém eu  me esqueci.

             Senhor Antônio Carlos,  de Alvinópolis,  trabalha com embutidos e defumados. A lingüiça de porco e o lombo defumado são especiais.

             Dona Maria Sérgia, de Carneirinhos,   trabalha com quitandas variadas.  Gosto muito dos biscoitos de fubá e do pão integral.

            Dona Sanny, natural de Belo Horizonte, mora no Jorge. Comercializa frutas, verduras, ovos e peixes. Tudo com qualidade .

            Dona Beatriz,  dos Pena,  vende queijos, doces, frutas da estação  e quitandas. Por falar em Dona Beatriz,  aprecio muito o   biscoito de polvilho que ela faz. Da melhor qualidade.

            Dona Sanderli , do Bairro Rosário,  vende ovos. Sempre fresquinhos.

            Senhor Joaquim,   do  Bairro Nova Esperança,   trabalha com verduras, frango caipira e tudo mais que uma  terra bem cultivada produz.

            Dona Ilma,   do Vieira, em São Domingos do Prata,   comercializa verduras, cereais, ovos, queijos, galinha caipira.

            Dona Maria Helena,  Bairro Industrial,  trabalha com quitandas, doces, queijo, feijão e carnes.

            Dona Vanda, Bairro Petrópolis,   cuida dos churrasquinhos e de outros tira-gostos, vende batata palha, pastel frito na hora, cervejinha gelada  e leite com “todi”.   De manhã, bem quentinho, é uma boa pedida.  Só não entendo como é que um camarada,   às sete horas da manhã ou mais cedo,  já está tomando a sua cervejinha.  Mas não é sua culpa, Dona Vanda!

            Senhor Moacir das Graças  vem do Sítio Taquaral, São Domingos do Prata.  Banana o ano inteiro, frutas da época, café  novinho, fubá, queijos , ovos caipira. Tudo da melhor qualidade cultivado por uma família  que tem mais de 22 anos de feira livre. Senhor Moacir foi um dos fundadores da nossa multicultural  feira livre.

            Senhor Geraldo ,  das Pacas,   cultiva verduras especiais. Pés de alface de Itu.

            Senhor Osvaldo,  do Bairro Lucília,   vende pimenta, ovos, banana, corante, doces, queijos e uma pinguinha da boa. Experimentei e aprovei!

            Senhor Luís,  da Cidade Nova,  comercializa pimentas e frutas. Uma boa pimenta dá um tempero de primeira !

             Dona Elisa   é responsável pela pechinha do Bairro Rosário.  Tudo para ajudar na manutenção das obras do Centro Comunitário.

            Dona Efigênia, do Promorar,  tem tira-gosto de primeira, lingüiça na chapa, torresmo,  chouriço, tropeiro. Tudo muito apetitoso e saudável.

             Dona Rita de Cássia ,  de São Nicolau das Almas, Município de São Domingos do Prata,  vende café, rapadura,  queijos, ovos, frango e uma farinha torrada especial.

            Senhor Fábio  traz um caminhão de quitandas de Rio Piracicaba. Produtos bons de qualidade e de preço. Tem que fazer fila!  E a quitanda é boa mesmo. Outro dia, em Carneirinhos, presenciei uma cena inusitada, perto do Banco do Brasil.  Um senhor  caminhava tranquilamente com dois belos pães caseiros na sacola. Um cachorrão, um vira-lata pernudo e magricela,  abocanhou um dos pães e saiu em disparada. . Morri de  tanto rir ! Nunca vi cachorro roubar pão caseiro.  Só pode ser produto do Fábio!   

            Senhor Vantuil ,  de Alvinópolis,  comercializa frutas, ovos, feijão novinho, queijo.  Qualidade especial.

            Dona Conceição  e Dona Margarida,  de Barra do Bananal, São Domingos do Prata,   trabalham com bananas, verduras, legumes e doces. A banana maça é especial.  Sem agrotóxicos. Cultivada com  muito carinho. Dona Conceição e Dona Margarida, com certeza,  são as mais antigas feirantes de João Monlevade. Desde  1963 , na nossa saudosa e inesquecível  Praça do Mercado!

            Dona Regina,  do Bairro Lucília,   trabalha com bijuterias e enfeites.

            Senhor César , de Gomes de Melo, Rio Piracicaba,  trabalha com frutas da estação, legumes, queijos, lingüiça, galinha caipira e verduras.  Não compro mais feijão no supermercado.  Podem procurar o César   ou seu irmão, Vantuil, que a gente encontra feijão novinho.

            Senhor Ronan,  de Bela Vista de Minas,   trabalha com licor de  figo, de jabuticaba, de banana e de café.

         Dona Terezinha, de Carneirinhos,   vende ovos. Tem ovo de pata. Não tem ovo de pato.

            Senhor José Celso, Sítio da Onça, São Domingos do Prata, trabalha com quitandas, queijos e defumados.

            Dona Edith,   de Lajes, Bela Vista de Minas,  comercializa verduras, legumes e frutas da época.

            Dona Maria do Rosário, Bairro Lucília,  trabalha com queijos, verduras, legumes, galinha caipira e ovos.

            Senhor Wilson Soares  , do Macuco, Município de São Domingos do Prata,  comercializa queijos, mandioca, frutas da época e verduras. É o feirante que mora mais longe.

            Dona Margarete ,  do Bairro Alvorada,  faz crochê, bordados, pintura.

            Dona Rosângela ,  Bairro Industrial,   faz arranjos e bijuterias. .

            Dona Terezinha e Dona Lourdes,  mãe e filha que moram no Satélite, comercializam peças íntimas, cachecol e outros produtos de lã.

            Senhor Noé,  Alvinópolis,  vende manteiga, iogurte e quitandas em geral.  , Porque não falar  também dos “ Doces de Noé”. Inventei uma marca!  São especiais! Cocada, doce de leite, pé-de-moleque. O meu preferido é  o doce de mamão com rapadura. Combina com um pedaço generoso de queijo fresco.   Outra especialidade de Noé  é o bolo de iogurte. Podem procurar! Na região não encontrarão melhor!

            Dona Maria Amélia , Bela Vista  de Minas,   comercializa quitandas, corantes e doces especiais.

             Dona Débora , Bairro Santa Bárbara,  trabalha com artesanato em geral.

             Dona Nenen,  do Bairro Alvorada,  faz boné de crochê. O que mais  vende é o boné do galo! Os bonés do cruzeiro ficam encalhados. Mas não tem problema. A quantidade de bonés que ela vende do galo compensa qualquer prejuízo.

            Dona Auxiliador ,Bairro Rosário,  trabalha com pano de prato, tapetes de barbante.

            Dona Diná ,Bairro Rosário,   trabalha com bordado e crochê para cama, mesa e banho.

            Dona Márcia   , do Bairro Rosário,   cria lindas bonecas de pano.  É a  presidenta da Associação dos Artesãos que  expõem e comercializam  suas criações na  Praça do Povo.

            Senhor Daniel,  São Domingos do Prata,  vende verduras, frutas da época, quitandas e queijos.

            Senhor Valfrido, São Domingos do Prata,  vende lingüiça caseira, queijos, verdura, fubá e farinha.

            Senhor Paulo Paiva   traz de Alvinópolis um caminhão de defumados e embutidos.

             Dona Silvânia ,  Alvinópolis,   vende lingüiça, galinha caipira e salgados.

             Senhor Edson,São Domingos do Prata,  vende mel,  cachaça e plantas medicinais. Minha mulher encontrou gravatá em sua barraca. Dá um xarope especial! Aprendi a  tomar uma  colher de  pólen  todos os dias, em jejum,  com o  Edson.  Dá muita disposição.

             Dona Cacilda,  Jorge, Rio Piracicaba vende verduras, queijos e frutas.

             Senhor Sebastião ,  São Domingos do Prata, vende queijos, frutas, verduras e legumes.

             Senhor Alberto, de Gomes de Melo, Rio Piracicaba,  este é um caso especial. Vende garapa, queijos, bananas, amendoim, mandioca,  frutas da estação, lorota e muita conversa fiada.

            Fiquei amigo de todos e, em especial de Senhor Alberto, por conta de um desaforo muito grande. A gente  para  barraca,  olha a mercadoria, inspeciona e tem todo  o direito de perguntar  se a banana maça é boa e não tem pedra.  A resposta  desaforada já estava na ponta da língua:  “ Pedra não tem! Se tivesse,  eu estaria rico  e não precisaria mais vender banana na feira”.

            É por conta de tudo que já falei que passo boa parte de minhas manhãs   de sábado,  na Feira do povo, jogando prosa fora e apreciando a variedade de cheiros, gostos e culturas. Não tem pedra não, Senhor Alberto.  A nossa maior riqueza é  a gente mesmo que teima, peleja, luta, caçoa e brinca de viver de feira!

Gil

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