“ Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. O autor bíblico conhecia a fraqueza de nossa inevitável condição humana. Vale à pena refletir melhor sobre o sentido desta palavrinha desconcertante.
Nossa língua não penetra no sentido mais verdadeiro da palavra vaidade. É preciso beber na fonte. O latim nos oferece o sentido mais preciso e intenso. Vaidade em latim é “ vanitas”, “ vanun”. Significa vão, um espaço vazio, oco, sem consistência. Vaidoso é aquele que está cheio de vazio. Comumente, a palavra nos remete ao exibicionismo, à necessidade de aparecer e ser reconhecido. Pode ser que a pessoa vaidosa tenha necessidade de aparecer, pois sua existência o remete ao nihilismo, à falta de valorização de si mesmo. Todavia, vaidade é sempre vazio existencial. Uma espécie de inconsistência afetiva que sempre nos remete ao nosso ninguém. Para o vaidoso, existir é continuamente tergiversar!
Para superar a vaidade, para preencher o nosso vazio existencial, só o amor pode dar consistência à nossa vida, ao nosso trabalho, aos nossos projetos e sonhos. Só o amor pode carregar de esperança um horizonte que se borda de vaidade e de ilusão. Vaidade é ilusão. Ilusão é vaidade. Quantas vezes nos empenhamos por reconhecimento pessoal, quantas vezes gastamos nosso precioso tempo em coisas que podem até encher o nosso bolso, mas nunca conseguem abastecer o nosso coração. Quantas vezes nossas despensas estão cheias e temos uma fome tão grande de afeto. Quantas vezes queremos fazer seguro de nossos bens e não conseguimos proteger nossas emoções, pois nosso afeto está na vaidade.
Todos os dias podemos ligar a TV e observarmos corpos e vidas de homens e mulheres exibidos na televisão. Podem até ser invejados, idolatrados e desejados. Nunca, porém, amados! São usados e manipulados, mas nunca tocados por um afeto sincero. Eis o preço da vaidade!
Ainda é tempo de amar, ainda é tempo de curar nosso coração com doses bem generosas de acolhimento e atenção. Tens um tesouro? Onde está teu coração? Teu tesouro é tua bondade? Descansa lá teu coração! Em paz lá teu coração! Abundante lá teu coração! Tens um tesouro? Onde está teu coração? Teu tesouro é tua conta bancária, teus bens? Aflige-se lá teu coração! Em guerra lá teu coração! Esvazia-se lá teu coração! “Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade!”