Cuidado com o golpismo midiático que planta escândalos o tempo todo e tenta distorcer a vontade popular… Não se deixem iludir!
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Cuidado com o golpismo midiático que planta escândalos o tempo todo e tenta distorcer a vontade popular… Não se deixem iludir!
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é sensível com as demandas dos menos favorecidos em nossa sociedade.
não é subserviente ao poder econômico, mas é capaz de estabelecer parcerias.
tem um projeto pedagógico-cultural consistente para nossa cidade.
não promete, mas é capaz de estabelecer metas.
não promete e nem compromete sua candidatura com uma busca frenética de poder e dinheiro.
está verdadeiramente aliançado com a edificação de um mundo melhor para os nossos jovens, reféns da violência e das drogas.
tem uma história de luta em favor do crescimento econômico de João Monlevade.
tem um compromisso com a Justiça e a Ética.
tem como prioridade de seu governo o esporte, como ferramenta de inclusão social e exercício da cidadania.
faz da saúde um caso de saúde e não um caso de politicagem.
Voto, em enfim, em candidatas e candidatos que amam João Monlevade.
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Não voto ….
em candidato que só aparece na igreja em época de eleição, mostrando-se piedoso ou devoto.
Em candidato que só aparece nos centros comunitários em época de eleição como o salvador da pátria.
Em candidato que nunca foi a uma reunião na Câmara Municipal e assim mesmo tem as melhores leis para mudar o município .
Em candidato só porque ele é meu vizinho, primo do primo de meu primo, tio do tio de meu tio torto, amigo da amiga do meu amigo e está desempregado.
Em candidato que se esteia na suposta imagem de poder que sua família tem na comunidade.
Em candidato que se pavoneia com carros de luxo pela cidade.
Em candidato só porque somos da mesma religião.
Em candidato só porque torcemos para o mesmo time.
Em candidato que ganha voto fazendo favores…
Em candidato que ganha voto fazendo festas…
Em candidato que nem vive aqui e cai sempre de pára-quedas na época de eleição.
Em candidato que me dá tapinhas nas costas.
Em candidato que não tem um projeto pedagógico-cultural consistente para nossa comunidade.
Em candidato que promete…
Em candidato que promete e não pode cumprir.
Em candidato que se julga acima da Lei.
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Sábado é um dia especial em João Monlevade. É o dia da feira do povo na praça do povo. É o único dia da semana que tenho o prazer de levantar bem cedo e aproveitar os melhores produtos da feira. A alegria e a disposição das pessoas curam qualquer tristeza. Fiz muitas amizades na feira, que se renovam a cada sábado. Este pequeno texto que escrevo é uma homenagem para todos os feirantes que enchem de sabor e calor humano as manhãs de sábado em João Monlevade. Em cada barraca, uma história, um sabor, uma vida. Numa bela manhã de sábado, tomei nota de todos os feirantes. Desde já, peço minha sinceras desculpas, se de alguém eu me esqueci.
Senhor Antônio Carlos, de Alvinópolis, trabalha com embutidos e defumados. A lingüiça de porco e o lombo defumado são especiais.
Dona Maria Sérgia, de Carneirinhos, trabalha com quitandas variadas. Gosto muito dos biscoitos de fubá e do pão integral.
Dona Sanny, natural de Belo Horizonte, mora no Jorge. Comercializa frutas, verduras, ovos e peixes. Tudo com qualidade .
Dona Beatriz, dos Pena, vende queijos, doces, frutas da estação e quitandas. Por falar em Dona Beatriz, aprecio muito o biscoito de polvilho que ela faz. Da melhor qualidade.
Dona Sanderli , do Bairro Rosário, vende ovos. Sempre fresquinhos.
Senhor Joaquim, do Bairro Nova Esperança, trabalha com verduras, frango caipira e tudo mais que uma terra bem cultivada produz.
Dona Ilma, do Vieira, em São Domingos do Prata, comercializa verduras, cereais, ovos, queijos, galinha caipira.
Dona Maria Helena, Bairro Industrial, trabalha com quitandas, doces, queijo, feijão e carnes.
Dona Vanda, Bairro Petrópolis, cuida dos churrasquinhos e de outros tira-gostos, vende batata palha, pastel frito na hora, cervejinha gelada e leite com “todi”. De manhã, bem quentinho, é uma boa pedida. Só não entendo como é que um camarada, às sete horas da manhã ou mais cedo, já está tomando a sua cervejinha. Mas não é sua culpa, Dona Vanda!
Senhor Moacir das Graças vem do Sítio Taquaral, São Domingos do Prata. Banana o ano inteiro, frutas da época, café novinho, fubá, queijos , ovos caipira. Tudo da melhor qualidade cultivado por uma família que tem mais de 22 anos de feira livre. Senhor Moacir foi um dos fundadores da nossa multicultural feira livre.
Senhor Geraldo , das Pacas, cultiva verduras especiais. Pés de alface de Itu.
Senhor Osvaldo, do Bairro Lucília, vende pimenta, ovos, banana, corante, doces, queijos e uma pinguinha da boa. Experimentei e aprovei!
Senhor Luís, da Cidade Nova, comercializa pimentas e frutas. Uma boa pimenta dá um tempero de primeira !
Dona Elisa é responsável pela pechinha do Bairro Rosário. Tudo para ajudar na manutenção das obras do Centro Comunitário.
Dona Efigênia, do Promorar, tem tira-gosto de primeira, lingüiça na chapa, torresmo, chouriço, tropeiro. Tudo muito apetitoso e saudável.
Dona Rita de Cássia , de São Nicolau das Almas, Município de São Domingos do Prata, vende café, rapadura, queijos, ovos, frango e uma farinha torrada especial.
Senhor Fábio traz um caminhão de quitandas de Rio Piracicaba. Produtos bons de qualidade e de preço. Tem que fazer fila! E a quitanda é boa mesmo. Outro dia, em Carneirinhos, presenciei uma cena inusitada, perto do Banco do Brasil. Um senhor caminhava tranquilamente com dois belos pães caseiros na sacola. Um cachorrão, um vira-lata pernudo e magricela, abocanhou um dos pães e saiu em disparada. . Morri de tanto rir ! Nunca vi cachorro roubar pão caseiro. Só pode ser produto do Fábio!
Senhor Vantuil , de Alvinópolis, comercializa frutas, ovos, feijão novinho, queijo. Qualidade especial.
Dona Conceição e Dona Margarida, de Barra do Bananal, São Domingos do Prata, trabalham com bananas, verduras, legumes e doces. A banana maça é especial. Sem agrotóxicos. Cultivada com muito carinho. Dona Conceição e Dona Margarida, com certeza, são as mais antigas feirantes de João Monlevade. Desde 1963 , na nossa saudosa e inesquecível Praça do Mercado!
Dona Regina, do Bairro Lucília, trabalha com bijuterias e enfeites.
Senhor César , de Gomes de Melo, Rio Piracicaba, trabalha com frutas da estação, legumes, queijos, lingüiça, galinha caipira e verduras. Não compro mais feijão no supermercado. Podem procurar o César ou seu irmão, Vantuil, que a gente encontra feijão novinho.
Senhor Ronan, de Bela Vista de Minas, trabalha com licor de figo, de jabuticaba, de banana e de café.
Dona Terezinha, de Carneirinhos, vende ovos. Tem ovo de pata. Não tem ovo de pato.
Senhor José Celso, Sítio da Onça, São Domingos do Prata, trabalha com quitandas, queijos e defumados.
Dona Edith, de Lajes, Bela Vista de Minas, comercializa verduras, legumes e frutas da época.
Dona Maria do Rosário, Bairro Lucília, trabalha com queijos, verduras, legumes, galinha caipira e ovos.
Senhor Wilson Soares , do Macuco, Município de São Domingos do Prata, comercializa queijos, mandioca, frutas da época e verduras. É o feirante que mora mais longe.
Dona Margarete , do Bairro Alvorada, faz crochê, bordados, pintura.
Dona Rosângela , Bairro Industrial, faz arranjos e bijuterias. .
Dona Terezinha e Dona Lourdes, mãe e filha que moram no Satélite, comercializam peças íntimas, cachecol e outros produtos de lã.
Senhor Noé, Alvinópolis, vende manteiga, iogurte e quitandas em geral. , Porque não falar também dos “ Doces de Noé”. Inventei uma marca! São especiais! Cocada, doce de leite, pé-de-moleque. O meu preferido é o doce de mamão com rapadura. Combina com um pedaço generoso de queijo fresco. Outra especialidade de Noé é o bolo de iogurte. Podem procurar! Na região não encontrarão melhor!
Dona Maria Amélia , Bela Vista de Minas, comercializa quitandas, corantes e doces especiais.
Dona Débora , Bairro Santa Bárbara, trabalha com artesanato em geral.
Dona Nenen, do Bairro Alvorada, faz boné de crochê. O que mais vende é o boné do galo! Os bonés do cruzeiro ficam encalhados. Mas não tem problema. A quantidade de bonés que ela vende do galo compensa qualquer prejuízo.
Dona Auxiliador ,Bairro Rosário, trabalha com pano de prato, tapetes de barbante.
Dona Diná ,Bairro Rosário, trabalha com bordado e crochê para cama, mesa e banho.
Dona Márcia , do Bairro Rosário, cria lindas bonecas de pano. É a presidenta da Associação dos Artesãos que expõem e comercializam suas criações na Praça do Povo.
Senhor Daniel, São Domingos do Prata, vende verduras, frutas da época, quitandas e queijos.
Senhor Valfrido, São Domingos do Prata, vende lingüiça caseira, queijos, verdura, fubá e farinha.
Senhor Paulo Paiva traz de Alvinópolis um caminhão de defumados e embutidos.
Dona Silvânia , Alvinópolis, vende lingüiça, galinha caipira e salgados.
Senhor Edson,São Domingos do Prata, vende mel, cachaça e plantas medicinais. Minha mulher encontrou gravatá em sua barraca. Dá um xarope especial! Aprendi a tomar uma colher de pólen todos os dias, em jejum, com o Edson. Dá muita disposição.
Dona Cacilda, Jorge, Rio Piracicaba vende verduras, queijos e frutas.
Senhor Sebastião , São Domingos do Prata, vende queijos, frutas, verduras e legumes.
Senhor Alberto, de Gomes de Melo, Rio Piracicaba, este é um caso especial. Vende garapa, queijos, bananas, amendoim, mandioca, frutas da estação, lorota e muita conversa fiada.
Fiquei amigo de todos e, em especial de Senhor Alberto, por conta de um desaforo muito grande. A gente para barraca, olha a mercadoria, inspeciona e tem todo o direito de perguntar se a banana maça é boa e não tem pedra. A resposta desaforada já estava na ponta da língua: “ Pedra não tem! Se tivesse, eu estaria rico e não precisaria mais vender banana na feira”.
É por conta de tudo que já falei que passo boa parte de minhas manhãs de sábado, na Feira do povo, jogando prosa fora e apreciando a variedade de cheiros, gostos e culturas. Não tem pedra não, Senhor Alberto. A nossa maior riqueza é a gente mesmo que teima, peleja, luta, caçoa e brinca de viver de feira!
Gil
Publicado em Pérolas
“ Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. O autor bíblico conhecia a fraqueza de nossa inevitável condição humana. Vale à pena refletir melhor sobre o sentido desta palavrinha desconcertante.
Nossa língua não penetra no sentido mais verdadeiro da palavra vaidade. É preciso beber na fonte. O latim nos oferece o sentido mais preciso e intenso. Vaidade em latim é “ vanitas”, “ vanun”. Significa vão, um espaço vazio, oco, sem consistência. Vaidoso é aquele que está cheio de vazio. Comumente, a palavra nos remete ao exibicionismo, à necessidade de aparecer e ser reconhecido. Pode ser que a pessoa vaidosa tenha necessidade de aparecer, pois sua existência o remete ao nihilismo, à falta de valorização de si mesmo. Todavia, vaidade é sempre vazio existencial. Uma espécie de inconsistência afetiva que sempre nos remete ao nosso ninguém. Para o vaidoso, existir é continuamente tergiversar!
Para superar a vaidade, para preencher o nosso vazio existencial, só o amor pode dar consistência à nossa vida, ao nosso trabalho, aos nossos projetos e sonhos. Só o amor pode carregar de esperança um horizonte que se borda de vaidade e de ilusão. Vaidade é ilusão. Ilusão é vaidade. Quantas vezes nos empenhamos por reconhecimento pessoal, quantas vezes gastamos nosso precioso tempo em coisas que podem até encher o nosso bolso, mas nunca conseguem abastecer o nosso coração. Quantas vezes nossas despensas estão cheias e temos uma fome tão grande de afeto. Quantas vezes queremos fazer seguro de nossos bens e não conseguimos proteger nossas emoções, pois nosso afeto está na vaidade.
Todos os dias podemos ligar a TV e observarmos corpos e vidas de homens e mulheres exibidos na televisão. Podem até ser invejados, idolatrados e desejados. Nunca, porém, amados! São usados e manipulados, mas nunca tocados por um afeto sincero. Eis o preço da vaidade!
Ainda é tempo de amar, ainda é tempo de curar nosso coração com doses bem generosas de acolhimento e atenção. Tens um tesouro? Onde está teu coração? Teu tesouro é tua bondade? Descansa lá teu coração! Em paz lá teu coração! Abundante lá teu coração! Tens um tesouro? Onde está teu coração? Teu tesouro é tua conta bancária, teus bens? Aflige-se lá teu coração! Em guerra lá teu coração! Esvazia-se lá teu coração! “Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade!”
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É fato que há pessoas que conduzem suas vidas com uma necessidade mórbida de falar das desgraças e infortúnios alheios. Nunca, é claro, de si mesmas. Evidente é que há pessoas que superaram as fofocas e construíram uma vida mais autêntica.
O ser humano é sempre inacabado e inesperado. Aberto aos desafios da vida ou paralisado por suas limitações. Não há regras para a história do homem . Não há caminhos já traçados ou destinos desastrosos. Ele deve dar uma destinação adequada para cada atitude de sua existência. Mesmo que se espelhe em bons exemplos, há que construir o próprio. Podemos dizer também que o homem é um ser em projeto, um ser a caminho. Tem sonhos e esperanças. Muito ainda não realizou, mas cria condições de atingir a meta desejada. Vive o hoje, vislumbrando o amanhã. Mesmo que não atinja tudo que espera, houve o motivo para a luta, para continuar vivendo. Ser- em- projeto.
A fofoca nasce justamente no ser humano que passa pela vida sem projetos e sonhos. E o fracasso alheio atenua sua existência medíocre, pois pensa não estar sozinho em sua ignorância e insensatez. Não foi o único a perder. Que alívio! Mas isto ainda é pouco. Ufana-se em propagar as desgraças alheias com refrigério ainda maior para sua alma mesquinha.
Podemos ir ainda mais longe, tecendo considerações sobre a fofoca, os fofoqueiros e fofoqueiras . Há o que chamamos de ser autêntico e de ser inautêntico.
Ser autêntico é aquele que se reconhece em processo, em construção. Nunca finalizado. Está aberto aos desafios e ao novo. Não tem necessidades de falar dos defeitos do outro. Antes, tenta escutar as próprias limitações e corrigi-las, aprendendo com as qualidades e experiências do outro. Aliás, o outro não lhe causa ameaça, mas alguém para dialogar, conviver e aprender. Ser autêntico é aquele que chamamos de ser cêntrico . Tem o eixo central de sua vida fixado nele mesmo, com todas suas limitações e contradições. Ama-se e se perdoa. É compreensivo com suas próprias limitações e sensível às limitações do outro. Ama as pessoas e usa as coisas.
Ser inautêntico é por natureza excêntrico. O outro é o referencial mais importante da sua vida . É incapaz de conviver bem consigo, já que nunca se encontrou, se aproximou de seu próprio interior. Vive falando mal do outro, pois conviver consigo mesmo é um verdadeiro inferno. Agigantador dos infortúnios alheios, jamais encontrou em si mesmo sua maior riqueza. Ser inautêntico, frustrado, cheio de despeitos e desafetos. Pronto para destilar com sua língua o mais puro veneno, que lhe volta à boca com gosto de fel. Seres mal amados, pois antes de não ter quem os ame, não conseguem se amar. Por isto, mal amados. Usam as pessoas e amam as coisas .
O fofoqueiro é um verdadeiro depreciador crítico. Prefere ver os outros para baixo a se elevar através de suas próprias realizações. Talvez, no fundo esconda um sentimento de culpa. A fofoca então aliviaria sua dor e o faria não se sentir tão mal com suas próprias falhas. Afinal, sua maledicência não se compara com as desgraças alheias.
Proponho soluções. Primeiro para aquele que chafurdou sua vida na lama da fofoca e da excentricidade. Encontre seu eu perdido, use da palavra para edificar, construir pontes de solidariedade entre os homens. Afinal, neste mundo não há lugar para seres solitários, mas para gente solidária. E para aquele que se julgou injustamente difamado pelos dardos felinos da língua alheia, consola Sartre, conhecido pensador francês: “ O importante não é o que falam de mim, mas o que eu faço com o que falam de mim.”
Gil
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“ Não vale à pena uma vida que não possa ser refletida.” Certamente, era uma das frases utilizadas por Sócrates na Ágora, praça pública de Atenas, instigando seus interlocutores a pensar. Tão contundentes e verdadeiros seus argumentos, tão persuasivas suas afirmações, que incomodou o poder. Fora acusado de corromper a juventude. Pena de morte por envenenamento! Cicuta !
A Filosofia nunca poderá perder esta vocação mais genuína. Instigar, perguntar, não se deixar convencer por palavras bonitas, duvidar dos grandes discursos e das frases muito pomposas. A verdade muitas vezes é obscurecida por discursos demagógicos. Se perder a vocação de incomodar, não é mais filosofia. Vejamos a Filosofia incomodando.
Incomoda nossa consciência que se contentou o com o sono letárgico da ignorância e que hesita em se questionar. Amedronta o inusitado e o inesperado! Prefere-se o lugar comum, o prato feito de idéias! Não há comprometimento.
Incomoda os sistemas políticos que acorrentam os homens com suas ideologias. A Filosofia é sempre desalinhadora. Tergiversa! Avessa aos conluios, aos acordinhos que teimam em manter o poder à custa da miséria humana.
Incomoda as religiões que monopolizam o sagrado e insultam nossa credulidade. Há outras possibilidades de transcendência. Religiões ávidas por muito dinheiro, posses e que promovem a violência e a morte são as maiores catástrofes que a humanidade pode enfrentar.
Incomoda as culturas que sustentam padrões desumanizantes em nome de uma identidade perdida. A Filosofia se propõe a humanizar a própria cultura. Tarefa espinhosa e paradoxal !
Incomoda a ciência com a suas devoção não racional no progresso da humanidade e sua estranha avizinhação com o poder.
Incomoda nossas formas de amar, tão loucas, tão desvairadas e colonizadoras.
Incomoda nossos valores tão interesseiros e utilitários. Quilômetros de distância de qualquer fundamento ético.
Sócrates pagou o preço por sua coerência. Não se curvou ao poder. Amou a verdade até o fim. Segundo Platão, em “Apologia a Sócrates”, teria ele pronunciado as seguintes palavras no final de seu julgamento:
“ Se imaginais que, matando homens, evitareis que alguém vos repreenda a má vida, estais enganados; essa não é uma forma de libertação, nem é inteiramente eficaz, nem honrosa; esta outra, sim, é a mais honrosa e a mais fácil: em vez de tampar a boca dos outros, preparar-se para ser o melhor possível.”
Como pescador de sabedoria, amo a busca genuína da verdade e da coerência, que me desinstala, me incomoda e ilumina os meandros obscuros de minhas perdidas contradições.
Gil
Publicado em filosofia
Seu gesto simples de solidariedade foi aquele prato de sopa. A primeira refeição do dia para aquele pobre peregrino da vida, quase desfalecido. Sem chão, sem teto, sem ter para onde ir. Seu primeiro impulso, apenas, matar a fome e encher o vazio de seu estômago. O vazio de vida não lhe era importante. Apenas sobreviver, sobreviver…
Queria fazer mais por aquele homem. Queria dar-lhe a dignidade de um banho, uma cama, uma noite de sono em lençóis limpos. Mas nada disso aconteceu! Não teria coragem de levá-lo para dentro de sua casa, como a maioria de nós não teria. A sopa foi devorada rápido. O pobre homem agradecera a suculenta sopa que lhe manteria vivo por mais um dia… Na penumbra da tarde, foi-se o peregrino. Em sua casa, pensou muito nele o generoso senhor. E pensou em mil maneiras de ajudar outros peregrinos… Não queria parar simplesmente em um prato de sopa. Queria outras formas de matar a fome. Adormeceu, pensando em mudar a partir de si o mundo.
Nosso peregrino caminhava revigorado. A noite prometia chuvas e ele resolveu se encolher debaixo de uma ponte e aquecido por um velho manto que carregava. O temporal chegou rápido e as águas quase que tomavam conta de seu improvisado abrigo. Foi quando, atônito, percebeu uma criança levada pela correnteza. Agitava as mãos. Ainda havia vida! Em perigo de morte! Ele não hesitou e se atirou no córrego lamacento. Suas forças vinham do instinto tão pelejado, tão sacudido, tão maltratado de vontade de viver. E daquele prato de sopa! Ele agarrou a criança, quase desfalecida. Ele se segurou em um pequeno galho de árvore, partido pelo raio que crepitou na noite chuvosa. Gritou por socorro… Gritou muito. Atiram-lhe uma corda. Amarrou primeiro a criança! Conseguiu poupar-lhe a tenra vida.
Depois de tudo, teve um banho quente, uma cama limpa e com lençol. Teve também a gratidão da família da criança que salvara. Muita gratidão! Quiseram que ficasse. Quiseram arrumar-lhe um abrigo. Quiseram restituir-lhe a dignidade.
Nosso peregrino continuou seu caminho depois de todo temporal. Ninguém notou sua ausência. Tinha uma manta nova nas costas, tinha um tênis novo nos pés, tinha pão na velha mochila, tinha uma muda de roupa. Tinha algum dinheiro no bolso. Ele não sabia ficar !
Aquele generoso homem que lhe oferecera um prato de sopa nunca poderia imaginar quanta força tem matar a fome.
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O tempo voa ! O tempo é implacável! Esta é a minha impressão dos dias que se vão… O tempo passa muito rápido e eu tento, sôfrego, retê-lo em minhas mãos. Quero agarrá-lo , amarrá-lo … E se esvai com a água que passa por entre as mãos ou o vento que sopra . O hoje que me dá o meu tempo. O nada que me dá o ontem… O não sei o quê que me virá no amanhã…
Só sinto que o tempo passa, realmente, quando ele passou…. Quando percebo as rugas ligeiras plasmando regatos sinuosos em minha face. Quando sinto a fragilidade e a pequenez tomarem conta de meu corpo… Quando vejo aquele retrato 3×4; talvez três quartos de uma vida que já passou. Quando as lembranças evocam um passado muito distante e não preencho de esperança o horizonte de meu futuro. Quando a música que me encanta vem dos anos 60 e não me sintonizo em outros sons.
Mesmo assim, ainda encontro um jeito diferente de olhar o tempo. Ainda cultivo sonhos. Faço balanços existenciais e conto com o tempo as minhas vitórias. Decepções e derrotas… lamentos, com certeza. Mas não fico me culpando por alguém que nunca fui … Acolhe-me incompleto e fugaz com o tempo que voa!
Enquanto é tempo… procuro encontrar tempo para me livrar de rancores, rumores, temores e desafetos… A água que passa por entre minhas mãos pode ser benção, pode matar a sede, pode refrescar, pode ser fonte que jorra vida … Depende de minha temperatura. O vento que sopra pode ser brisa que refresca e esparrama tempestades….
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Tio João
Hoje eu resolvi contar a história de meu Tio João. Eu era criança e me lembro bem. Poderia ser um tio como tantos outros. Mas era o meu Tio João, que aprendi a admirar.
Eu ainda pequeno em Alvinópolis, ele gostava de colocar a gente em sua novíssima “variant” e rodar à vontade pelas ruas e ladeiras da cidade natal de minha mãe. Um picolé ou um sorvete sempre vinham bem. Eu admirava meu tio quando ele estava fardado. Além de meu tio, ele era coronel da Polícia Militar e meu sonho de criança era estar, um dia, dentro daquela farda.
Meu tio também tinha uma alma muito generosa e como cuidava de sua mãe, minha bisavó querida, que sempre chamávamos, carinhosamente, de Vó Elvira. Ela faleceu com os seus cento e quatro anos. Nasceu no século dezenove, viveu no século vinte e morreu no século vinte e um. Bela vida a da minha bisavó! Meu tio morreu na maturidade de seus anos, vítima de um acidente de automóvel. Ele estava trabalhando. Minha avó ficou apaixonada. Seus olhos minavam lágrimas, quando a gente se lembrava do meu tio.
Meu tio sempre se preocupou com toda sua família. Com dificuldades, levou todos para Belo Horizonte à procura de melhores condições de vida. Imaginem uma família grande e com poucos recursos. Meu tio desdobrava-se. Lembro-me de algo muito engraçado que marcou a nossa vida. Dia de domingo, na casa de minha avó, como na maioria das famílias mineiras daquele tempo, é o dia do franguinho. Assado, frito, ou, de preferência, com quiabo, acompanhado de uma bela pratada de angu de fubá de moinho d’água. Era uma família grande para um franguinho só. As coisas estavam difíceis naquela época. Todos comiam e meu Tio João sempre ficava por último. Sobrava o pé-de-galinha. Naquele tempo, meu Tio João não teve o gosto de comer uma bela cocha ou uma aposta. Mas ele nem ligava. Comia calado e satisfeito. Tão satisfeito, que todo mundo pensava que meu Tio João adorava comer um pé-de-galinha. Minha querida vó ralhava com a irmandade. Coitada! Amava tanto o filho que queria agradá-lo. Podiam comer o frango todo. Mas o pé-de-galinha tinha que ficar para meu Tio João.
Foi assim que meu Tio João viveu e eu tenho tantas saudades… Vó Elvira ficou sabendo que meu tio João não gostava de pé-de-galinha mais tarde, quando a família já estava criada.
Meu Tio João não foi o único a comer “ pé-de-galinha” na vida. Tem tantos outros titios por aí que se sacrificaram pela sua família, sua comunidade, pelos seus irmãos. A maioria de nós não suportaria comer pé – de- galinha. Preferiria um belo peito suculento. Somos uma geração avessa ao sacrifício, das facilidades tecnológicas, das refeições rápidas e mal digeridas. Uma geração epidérmica, que se prende ao, talvez, vazio das aparências. Em nome da sobrevivência, perdemos muitos rituais que enchiam de gentileza e tranqüilidade a nossa vidinha.
Este pequeno texto é uma singela homenagem para meu Tio João. Estendo a tantos outros tios como o meu Tio João, gente simples, humilde, despercebida, quase invisível aos holofotes da mídia, que também comeram “pés-de-galinha”.
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